Salut dit!
Para compensar (mais uma vez) o longo tempo entre um texto e outro, uma resenha breve, mas múltipla sobre alguns dos lugares para se tomar uma cerveja em São Paulo. Existem duas motivações básicas e bem distintas sobre o ato ou efeito de se embebedar: beber bastante cerveja da marca que estiver disponível, evitando-se as mais fuleiras por questões de higiene mas sem optar pelas mais requintadas, aumentando o tempo de permanência no recinto, prolongando conversas e discussões filosóficas relevantes. É o mais comum em eventos como churrascos, festas de faculdade e happy-hours.
A outra acontece com menos freqüência quando se diminui a quantidade a ser consumida em prol da qualidade. Paga-se mais por marcas e tipos que não se encontram em todos os bares ou mercados e essa é justamente a graça dessas quebras na rotina: variar e diversificar. Nem sempre compensa passar o mês inteiro bebendo uma vez por semana a mesma cerveja quando se pode perfeitamente dar uma segurada duas semanas seguidas para na terceira, tomar aquela cerveja que de tão bonita a cor âmbar que reluz no copo, dá vontade de tirar uma foto emandar emoldurar.
Pois bem, a pequena maratoma (com o trocadilho referenciando a tradicional festa universitária) começa sexta-feira na Braugarten do Itaim Bibi, lugar agradável onde vale a pena sentar-se às mesinhas da área externa, mesmo que o interior seja bem espaçoso. O atendimento lá costuma ser bastante eficiente. Quem está acostumado com as marcas presentes na maioria dos bares e botecos acha interessante que na carta de cervejas apareçam alguns nomes importados e nacionais mais elaborados. Erdinger, Weiheistephaner, Bohemia Confraria e Baden-baden são exemplos e as uruguaias Norteña e Patricia não ficam de fora. A porção de bolinhos de carne com massa de mandioca é recomendável e a coxinha é excelente, ainda que bem caras. Sempre acompanha um molho levemente picante da casa, também muito bom. Já o chope escuro da casa não agradou muito. Bem forte, mostrou-se um tanto amargo e com um aroma levemente ácido.
No dia seguinte, o almoço em casa foi muito bem acompanhado pela Eisenbahn Weizenbock, que é uma cerveja de trigo de alta fermentação. Como não é filtrada, conserva no copo o fermento utilizado no processo de fabricação, é bem turva e de coloração avermelhada escura. Bastante encorpada, apresenta notas de torrefação e leve aroma de frutas (cravo e banana), segundo informações do site do fabricante. É bem refrescante e seu teor alcoólico de 8% é o suficiente para abaixar de forma agradável a pressão, sem causar sonolência ou torpor.
À noite, as baladinhas na Augusta pareciam alternativas demais, além da maioria ser animadas com DJs e não por bandas, o que não era interessante naquele momento. Optou-se pelo O’Malley’s, há muito tempo não visitado. Numa travessa da Consolação, tem um ponto de táxi em frente e é bem fácil de se chegar principalmente para quem já está nos lados da Paulista. A entrada de R$ 25 (H) e R$ 15 (M) é menos absurda do que no Kia Ora, por exemplo. O lugar é bem aconchegante, mas a quantidade de iluminação o torna pouco intimista para um pub, principalmente por ser noite de Halloween.
É dividido em vários ambientes e isso não necessariamente é um ponto negativo. A banda que tocou lá escolheu um repertório baseado no pop-rock e a única ressalva ficou para a vocalista, cujo timbre nem sempre se adequava à música. O pint de Guinness Draught, uma stout de alta fermentação feita com parte do malte torrado (segundo o site Brejas.com.br, se mostrou cremoso e com um balanço eficiente entre o doce e o amargo, apesar de parecerer mais “aguado” do que a versão em lata.
A porção de mandiocas fritas veio bem servida e incrementada com couve frita na manteiga, um pouco de carne-seca desfiada e molhos agridoce, apimentado e ao curry, mas o atendimento leva demérito: foi preciso reclamar depois de pedir a Guiness e também depois da porção, pois os pedidos foram esquecidos.
Já na extensa fila para pagar, coube bem mais um pint. Dessa vez, Old Speckled Hen, variedade até então desconhecida. Pale ale de respeito, possui coloração âmbar bem marcante, é densa, adocicada, bastante consistente e refrescante. O sabor perdura algum tempo após o consumo e eliminou completamente o sono do “fim-de-festa”. Entre os aromas de café, cravo e malte, o malte e o cravo se sobressaem. Vale muito a pena.
Por fim, fechando o feriado, uma ida ao Asterix, concorrido bar na região anexao à chamada “Prainha Paulista” com uma das cartas de cerveja mais respeitáveis já vista por aqui. Desde as tradicionais Bohemias, Originais, Erdingers, escuras, lagers, ales às famosas cervejas trapistas de preços proibitivos e disponibilidade restrita à porta dos mosteiros na Bélgica. O calor e o fim de tarde pediam uma ale. Constatada a indisponibilidade da belga Palm Royale, optou-se pela irlandesa Kilkenny, uma red ale âmbar que, no copo na mesma direção do sol poente, daria um belíssimo quadro. Predomina o malte e, apesar de mais amarga do que se espera, é bem suave e refrescante.