Geradores de Lanche

dezembro 7, 2009

A culinária do Chile é bem peculiar, a começar pela palta, servido como uma espécie de creme de abacate tipo hass nem doce nem salgado que acompanha praticamente qualquer carne: bovina, frango empanado e lombo. Na verdade, o Brasil é um dos poucos países – senão o único – a comer abacate como se fosse algo doce.

Um dos lanches mais comuns lá é o lomito, feito de lombo fatiado, palta, maionese, alface e tomate no meio do pão de hamburguer.

Lomito

Nos restaurantes, não é comum ver pratos acompanhados de arroz e feijão, mas sim com ovos fritos e batatas fritas, combinação conhecida como a lo pobre. Alguns entusiastas de carnes grelhadas, salgadas e malpassadas pode se decepcionar com o churrasco falso cognato. Lá, a denominação se aplica para a carne que é cozida e depois colocada na chapa. Um prato que tem o churrasco como ingrediente é a chorillana, que também leva salsichas, queijo derretido e batatas fritas.

Chorillana e Cristal, uma cerveja comum por lá.

A motivação deste texto, entretanto, é destacar uma curiosa coincidência. Pelo menos no centro de Santiago, muitas lanchonetes servem barros jarpa e barros luco. Mas que diabos seriam “barros”, já que não deu tempo para comer e descobrir por conta própria?

Uma rápida pesquisa na wiki revela. É um lanche batizado em homenagem a um advogado e político chileno chamado Ernesto Barros Jarpa, que achava de difícil digestão o lanche barros luco, feito de pão, carne e queijo e pedia para trocar a carne por presunto. Por sua vez, o barros luco foi batizado em homenagem a Ramón Barros Luco, que sempre pedia o lanche ao freqüentar a Confitería Torres em Santiago.

É bastante curioso relacionar esses dois lanches chilenos ao nosso bauru, que foi criado graças ao lanche que o estudante de direito casemiro Pinto Neto pedia ao garçom do Ponto Chic, no Largo do Paiçandu, centro de São Paulo. Seu lanche fazia sucesso que outros fregueses pediam um lanche igual ao do Bauru (alcunha de Casemiro decorrente de sua cidade natal, homônima). A receita original de Pinto Neto, oficializada pela lei municipal 4314, de 24 de junho de 1998, aprovada pela câmara dos vereadores de Bauru, consiste em um pão francês com rosbife, fatias de tomate, picles e queijo mozzarela derretido, condimentado com orégano e sal.


La Brunette (stout)

novembro 8, 2009

A cerveja de hoje é uma stout praticamente artesanal do sul do Brasil produzida pela mesma companhia que fabrica a Schmitt. Possui espuma cremosa e o sabor de malte é bastante evidente. A cevada, torrada na própria cervejaria, e os maltes do tipo Chocolate conferem duas características à Brunette: a coloração escura (sem adição de corantes caramelo) e o acentuado sabor tostado. Possui notas de café e leve amargor, mas a ressalva fica por conta do azedume perceptível que compromete a apreciação.


Da incompetência e do descaso

novembro 4, 2009

Ir para Jundiaí logo cedo durante a semana está mais complicado. Como a viagem de trem é demorada, aqueles que evitam gastos com pedágio e aborrecimentos com o trânsito paulistano se utilizam dos serviços da Viação Cometa. Que fique bem claro que não é preferência, mas apenas falta de outra opção que ofereça o serviço rodoviário.

Há duas opções de embarque: no Tietê com ônibus padrão Cometa, velhos, barulhentos, a maioria dos bancos quebrados e enfrentando todo aquele trãnsito para atravessar a Marginal rumo à Rodovia dos Bandeirantes ou micro-ônibus que saem da Barra Funda e evitam o trecho mais tenso da Marginal.

Acontece que às segundas-feiras ou retornos de feriado, o trânsito piora e o micro-ônibus chega com bastante atraso ao local de embarque, partindo também com atraso e enfrentando ainda mais trânsito. Além disso, a primeira opção de horário é o das 6h21, que nesses dias nunca parte antes das 6h45. Para quem precisa chegar antes das 7h30 na rodoviária de Jundiaí, é preciso embarcar mais cedo, ou seja, sobra o ônibus das 6h00 que sai do Tietê.

Nos dias de maior movimento, as filas são imensas, os lugares são rapidamente ocupados por pessoas que acreditam estarem num ônibus-leito, pois reclinam as poltronas ao máximo sem perceberem que incomodam muito quem está no banco de trás. Falta bom-senso. Nessas condições, era relativamente tranqüilo chegar na bilheteria às 5h50 e comprar passagem para o ônibus das 6h10, que saía mais vazio não pegava trânsito. Num exemplo de consideração, a viação mediocremente eliminou essa opção de horário!

É preciso chegar com bastante antecedência aos guichês por causa das filas que se formam. São cerca de 15, mas de manhã só 2 ou 3 funcionam.

Nas fotos dá pra se ter uma idéia do descaso. Não ficaram lá muito nítidas, mas dá pra ver os guichês vazios, o pessoal esperando e os funcionários envolvidos em outras atividades mais importantes, como ficar parados perto de outros funcionários parados, sendo que nenhum deles estava atendendo. O sr. Lázaro, que assumiu um dos guichês vazios, levou a impressionante marca de quinze minutos para atender duas pessoas. A eficiência é tanta que o sujeito pega o cartão de estudante, leva até a mesa de trás, depois recebe o pagamento e vai buscar o troco na mesa de trás, também. O sujeito ainda não entendeu o pedido “Jundiaí, seis horas!” e já ia vender para o horário seguinte. O pior de tudo é que desserviços assim podem acarretar na perda de um horário e até mesmo um compromisso importante por besteira.

A Viação Cometa acaba ganhando clientes por falta de opção. Ainda há desconfianças quanto aoprojeto dotrem-bala de Campinas ao Rio passando por Jundiaí e São Paulo, mas, quando isso acontecer, será que a Cometa estará com essa bola toda?


If I were Brittania I’d waive the Rules

novembro 3, 2009

Salut dit!

Para compensar (mais uma vez) o longo tempo entre um texto e outro, uma resenha breve, mas múltipla sobre alguns dos lugares para se tomar uma cerveja em São Paulo. Existem duas motivações básicas e bem distintas sobre o ato ou efeito de se embebedar: beber bastante cerveja da marca que estiver disponível, evitando-se as mais fuleiras por questões de higiene mas sem optar pelas mais requintadas, aumentando o tempo de permanência no recinto, prolongando conversas e discussões filosóficas relevantes. É o mais comum em eventos como churrascos, festas de faculdade e happy-hours.

A outra acontece com menos freqüência quando se diminui a quantidade a ser consumida em prol da qualidade. Paga-se mais por marcas e tipos que não se encontram em todos os bares ou mercados e essa é justamente a graça dessas quebras na rotina: variar e diversificar. Nem sempre compensa passar o mês inteiro bebendo uma vez por semana a mesma cerveja quando se pode perfeitamente dar uma segurada duas semanas seguidas para na terceira, tomar aquela cerveja que de tão bonita a cor âmbar que reluz no copo, dá vontade de tirar uma foto emandar emoldurar.

Pois bem, a pequena maratoma (com o trocadilho referenciando a tradicional festa universitária) começa sexta-feira na Braugarten do Itaim Bibi, lugar agradável onde vale a pena sentar-se às mesinhas da área externa, mesmo que o interior seja bem espaçoso. O atendimento lá costuma ser bastante eficiente. Quem está acostumado com as marcas presentes na maioria dos bares e botecos acha interessante que na carta de cervejas apareçam alguns nomes importados e nacionais mais elaborados. Erdinger, Weiheistephaner, Bohemia Confraria e Baden-baden são exemplos e as uruguaias Norteña e Patricia não ficam de fora. A porção de bolinhos de carne com massa de mandioca é recomendável e a coxinha é excelente, ainda que bem caras. Sempre acompanha um molho levemente picante da casa, também muito bom. Já o chope escuro da casa não agradou muito. Bem forte, mostrou-se um tanto amargo e com um aroma levemente ácido.

No dia seguinte, o almoço em casa foi muito bem acompanhado pela Eisenbahn Weizenbock, que é uma cerveja de trigo de alta fermentação. Como não é filtrada, conserva no copo o fermento utilizado no processo de fabricação, é bem turva e de coloração avermelhada escura. Bastante encorpada, apresenta notas de torrefação e leve aroma de frutas (cravo e banana), segundo informações do site do fabricante. É bem refrescante e seu teor alcoólico de 8% é o suficiente para abaixar de forma agradável a pressão, sem causar sonolência ou torpor.

À noite, as baladinhas na Augusta pareciam alternativas demais, além da maioria ser animadas com DJs e não por bandas, o que não era interessante naquele momento. Optou-se pelo O’Malley’s, há muito tempo não visitado. Numa travessa da Consolação, tem um ponto de táxi em frente e é bem fácil de se chegar principalmente para quem já está nos lados da Paulista. A entrada de R$ 25 (H) e R$ 15 (M) é menos absurda do que no Kia Ora, por exemplo. O lugar é bem aconchegante, mas a quantidade de iluminação o torna pouco intimista para um pub, principalmente por ser noite de Halloween.

É dividido em vários ambientes e isso não necessariamente é um ponto negativo. A banda que tocou lá escolheu um repertório baseado no pop-rock e a única ressalva ficou para a vocalista, cujo timbre nem sempre se adequava à música. O pint de Guinness Draught, uma stout de alta fermentação feita com parte do malte torrado (segundo o site Brejas.com.br, se mostrou cremoso e com um balanço eficiente entre o doce e o amargo, apesar de parecerer mais “aguado” do que a versão em lata.

A porção de mandiocas fritas veio bem servida e incrementada com couve frita na manteiga, um pouco de carne-seca desfiada e molhos agridoce, apimentado e ao curry, mas o atendimento leva demérito: foi preciso reclamar depois de pedir a Guiness e também depois da porção, pois os pedidos foram esquecidos.

Já na extensa fila para pagar, coube bem mais um pint. Dessa vez, Old Speckled Hen, variedade até então desconhecida. Pale ale de respeito, possui coloração âmbar bem marcante, é densa, adocicada, bastante consistente e refrescante. O sabor perdura algum tempo após o consumo e eliminou completamente o sono do “fim-de-festa”. Entre os aromas de café, cravo e malte, o malte e o cravo se sobressaem. Vale muito a pena.

Por fim, fechando o feriado, uma ida ao Asterix, concorrido bar na região anexao à chamada “Prainha Paulista” com uma das cartas de cerveja mais respeitáveis já vista por aqui. Desde as tradicionais Bohemias, Originais, Erdingers, escuras, lagers, ales às famosas cervejas trapistas de preços proibitivos e disponibilidade restrita à porta dos mosteiros na Bélgica. O calor e o fim de tarde pediam uma ale. Constatada a indisponibilidade da belga Palm Royale, optou-se pela irlandesa Kilkenny, uma red ale âmbar que, no copo na mesma direção do sol poente, daria um belíssimo quadro. Predomina o malte e, apesar de mais amarga do que se espera, é bem suave e refrescante.


Pelican – What We All Come to Need (2009)

outubro 5, 2009

What We All Come to Need

Saio do pequeno ostracismo com uma breve resenha do último lançamento (previsto para 27 de outubro) do último álbum da banda instrumental Pelican, formada em Chicago radicada em L.A. Os caras mandam muito bem num estilo não muito óbvio de definir, nasceram do que se costuma chamar de post-rock num celeiro de bandas novas que misturam elementos agressivos com passagens bem tranqüilas, mas a banda também agrega alguns elementos do que se costuma chamar de sludge metal, com seu característico som arrastado, distorcido e com afinação baixa e que agrada bastante aos fãs de doom metal.

No What We All Come to Need, os post-rockers se diferenciaram de seus trabalhos anteriores e sua sonoridade mais simples e crua com diversas passagens sem distorção e uma cadência menos brutal. Não significa que perderam a identidade, pelo contrário, o que se deixou de fazer em termos de peso foi convertido de forma muito eficiente em melodia, sendo um álbum que prende constantemente a atenção do ouvinte.

A música Glimmer, por exemplo, é extremamente densa e uniforme. Já a Ephemeral conta com a característica “cavalgada” que reitera: “Sim, é Pelican!”. Specks of Light e a faixa título são as mais bem elaboradas do álbum.

A grande surpresa fica por conta da Final Breath, carregada de melancolia e com algumas partes cantadas, coisa que eles não costumam fazer. O guitarrista Trevor de Braw afirma que a banda simplesmente não saberia encaixar linhas vocais que soassem bem com as músicas.

What We All Come to Need é mais um excelente álbum de uma banda extremamente competente e tem grandes chances não só de ser bem aceito pelos fãs, mas também
de atrair o interesse de novos ouvintes.

Ficha Técnica

  1. “Glimmer” – 7:31
  2. “The Creeper” – 7:20
  3. “Ephemeral” – 5:09
  4. “Specks of Light” – 7:46
  5. “Strung Up from the Sky” – 5:12
  6. “An Inch Above Sand” – 4:14
  7. “What We All Come To Need” – 6:47
  8. “Final Breath” – 7:29

Músicos

Pelican

  • Trevor de Brauw – guitar
  • Bryan Herweg – bass
  • Larry Herweg – drums
  • Laurent Schroeder-Lebec – guitar

Convidados


Ensaio Distópico

agosto 22, 2009
Saudações!

Vergonhoso manter um blog e ficar uns três meses sem atualizar, são sempre as desculpas de falta de tempo, muito trabalho, sono, atividades paralelas – no meu caso, alguns ensaios que ainda não me deram uma banda nova.

Este texto surgiu depois de uma idéia bem sucinta que tive num almoço qualquer há algumas semanas: E se nossos pensamentos fossem obrigatoriamente públicos?
Na época, o grande amigo Marcelo “Pato” Molinari falava de seu interesse por livros de história alternativa e até me indicou alguns, que pretendo comentar por aqui assim que os ler. Aproveitei um tempinho no ônibus parado no trânsito caótico de São Paulo e desenvolvi um pouco a idéia:

Os códigos de conduta como são conhecidos jamais poderiam ser postos em prática caso os pensamentos individuais se tornassem públicos. A dinâmica das relações sociais é regida pelo contraponto existente entre o que pode ser considerado ideal e o que é, de fato, real. Grande parte das decisões são tomadas com base em conhecimentos prévios das ações envolvidas e também são considerados certos preconceitos inerentes à percepção.

Assumindo que seja impossível controlar plenamente quais impressões determinado fato causa ,o fluxo de idéias geradas e opiniões formadas inconscientemente, todas as relações humanas tenderiam a entrar em colapso, já que a afinidade mútua entre as partes é estabelecido através de impressões e características transmitidas premeditadamente.

Num exercício breve deste cenário, poderia haver demissões em massa, muitas dificuldades na abertura e fechamento de contratos e de negócios, bem como o poder judiciário seria consideravelmente desgastado: todo e qualquer blefe seria prontamente desmascarado.

Poderia se pensar numa total abertura democrática, o pleno acesso à informação. Entretanto, a livre omissão de opiniões sem controle do emissor levaria à necessidade da adoção de medidas altamente totalitárias e represálias de forma a inibir compulsoriamente as correntes de pensamento conflitantes com o sistema em vigor, seja ele qual for.

É evidente que não se dispõe de meios para expor total e descaradamente a individualidade sem prévio consentimento de cada indivíduo, tampouco perspectivas de que meios para tal surjam num futuro próximo. É um alívio saber que, pelo menos das idéias, ainda se tem controle total.


Irish Uncream

maio 30, 2009
Essa semana, depois da patroa muito comentar junto com minha sogra, fui conhecer a tal cafeteria no bairro dela supostamente melhor do que a Vanilla, a Grão Espresso. Realmente, o lugar é bem aconchegante e tem um mezanino – não subimos por acharmos que ainda não estava funcionando, já que na casa funcionava uma outra cafeteria chamada Cafeeira.

Tem muitas opções interessantes no cardápio, mas a variedade do Vanilla ainda é maior. Optei por um capuccino com irish cream (já que é uma das minhas bebidas favoritas) e a patroa pegou um milk shake de creme, muito bom por sinal… só que o raio do capuccino que não foi barato veio com gosto de… capuccino! Per se, não era ruim, mas eu esperava sinceramente uma bebida mais encorpada e… convenhamos: com gosto de creme irlandês! Me arrependi de não ter reclamado na hora mas.na próxima vez, eu peço pra ver a bebida sendo colocada e aproveito para experimentar o capuccino com paçoca!


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